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A cultura percebida pelos colaboradores da San Marino está fortemente concentrada no quadrante metódico, com o principal ponto gravitacional posicionado entre Segurança e Ordem, e um segundo ponto gravitacional denso em Acolhimento. Juntos, esses três estilos respondem por mais de 70% das percepções mapeadas.
No eixo estável-interdependente, a empresa é vista como um lugar de processos confiáveis, previsibilidade nas decisões e respeito à estrutura. De um modo geral, as pessoas sabem como as coisas funcionam e sentem que há regras que organizam o trabalho. O Acolhimento aparece como a segunda camada da experiência: um ambiente relacional, onde há cuidado com as pessoas, senso de pertencimento e suporte mútuo, especialmente evidente nos depoimentos espontâneos.
73,4% das percepções estão em estilos com mais colaboração. 60% das percepções indicam maior estabilidade. O quadrante inovador (Aprendizado e Prazer) responde por apenas 5% das percepções.
Características dos estilos, quadrantes e eixos encontrados:
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A cultura aspiracional da San Marino orbita o território de Segurança. Nisso os pontos gravitacionais da cultura real e da cultura declarada (aspirada) estão próximos. Há alinhamento entre intenção e percepção. A empresa promete consistência, padrão e proteção, e as pessoas efetivamente sentem isso.
Mas há dois desvios que merecem atenção estratégica.
O Resultado aparece como segundo estilo mais forte na cultura declarada – presente em manifestações como protagonismo, liderança, excelência, objetivos, performance, postura de dono e entrega com padrão, responsabilidade pela execução, autonomia. Na percepção real, porém, esse sinal é fraco. Isso pode indicar que o discurso de performance ainda não se traduziu em experiência cotidiana para as pessoas.
O Acolhimento, ao contrário, é fortemente percebido na cultura real e quase ausente na cultura a ser declarada aspirada.
"A San Marino entrega, hoje, bem mais Acolhimento do que promete, e tem a intenção de ter uma cultura que viva mais o Resultado."
Esse cruzamento é típico de empresas com cultura genuinamente humana, mas que constroem narrativas a partir de uma identidade de alta performance. O desafio não é mudar – é reconhecer o que já existe e decidir, intencionalmente, o que fortalecer. Atenção para o que os novos comportamentos podem gerar nos colaboradores. Hoje eles sentem e até verbalizam que vivem num ambiente acolhedor e mais "família".
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Os estilos dominantes constroem uma base sólida. Mas também estão gerando riscos silenciosos que os dados revelam.
O excesso de processos e estrutura começa a ser percebido como burocracia. Há um padrão nítido nos comentários espontâneos:
"Eu vejo a San Marino ainda muito engessada em vários aspectos. Muito cacique pra pouco índio." Liderado, Matriz
"Qualquer erro, temos que chamar o cliente para assinar novamente... isso prende muito o vendedor." Liderado, Viamão
O Acolhimento excessivo, por sua vez, pode mascarar conversas difíceis e reduzir o senso de urgência. Quando ninguém quer quebrar a harmonia, a inovação e até o protagonismo pode parar. Não por falta de decisão da alta direção, mas porque o ambiente não a convida.
Há um alerta importante para o caminho de transformação: ao buscar uma cultura mais orientada a Resultado, a empresa precisará de atenção redobrada ao quadrante realizador. A média geral de segurança psicológica é 7,82 e de confiança 8,21. No quadrante de Resultado e Autoridade, segurança psicológica cai para 6,88 e confiança para 7,42. Qualquer movimento de transformação exige que as pessoas se sintam seguras o suficiente para arriscar.
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Orgulho alto, mas com raízes no passado. 70% dos respondentes deram notas 9 ou 10 em orgulho. O motivo mais citado é a história e a solidez da empresa. Atenção: orgulho sustentado por nostalgia não alavanca os próximos 40 anos, precisa ser reconvertido em identidade prospectiva.
Sentimentos: maioria neutra e condicionada. 35% se sentem confiantes e 20% esperançosos – sentimentos positivos, mas condicionados. Dependem do que a empresa fará, na velocidade e no alinhamento com as expectativas das pessoas. Apenas 8,3% relataram cansaço.
Zona Sul como ponto de atenção. 50% dos liderados da Zona Sul deram notas 5 ou 6 para confiança nos gestores, numa escala até 10. 83,3% avaliaram a comunicação com notas até 6. Os dados da unidade se distanciam significativamente da média geral e exigem um olhar aprofundado.
Percepção de privilégio e iniquidade. Aparecem nos comentários espontâneos relatos sobre distribuição desigual de leads, folgas e vendas direcionadas. Esse tipo de percepção corrói a confiança mesmo em ambientes de alto orgulho.
"Ainda existe um conceito de privilégio a alguns colegas... não sinto clareza com relação a isso." Liderado, Matriz
Burocracia como freio à performance. A Ordem, que é força da operação, é também a principal queixa dos profissionais de ponta, especialmente em vendas. O processo que protege a empresa pode estar travando quem gera receita. Ajustar ou ressignificar para que os processos sejam alavancadores e não atravancadores.
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1. Decisão estratégica que a liderança precisa tomar. Cultura de Resultado com traços de Acolhimento – ou Acolhimento com traços de Resultado? Essa escolha define rituais, métricas de sucesso e perfil de contratação. Sem ela, a empresa continuará prometendo alta performance e entregando conforto – gerando frustração nos dois lados. Qual a prioridade?
2. Revisar processos pelo olhar da performance. Mapear quais processos protegem o negócio e quais apenas freiam a execução. A burocracia que aparece nos comentários não é percepção – é dado. Simplificar onde possível e ressignificar o que é necessário são movimentos culturais, não apenas operacionais.
3. Fortalecer líderes como pontes. Os gestores já são o elo de confiança entre diretoria e times. Precisam de ferramentas e treinamento para cobrar com empatia, rituais de reconhecimento que equilibrem resultado e colaboração, e clareza sobre o que comunicar – especialmente na Zona Sul.
4. Aplicar fit cultural nas lideranças e profissionais estratégicos. Identificar quem já ocupa o quadrante realizador e quem pode fazer a ponte entre os estilos. A transformação cultural não se faz por decreto, se faz por pessoas estrategicamente posicionadas. Pessoas certas nos locais e momentos certos, sendo vozes e imagem de iniciativas na direção da Cultura Aspiracional. Fit não é mais sobre fazer o profissional combinar com o estilo, mas transformar o estratégico em pontes. A Qore tem ferramental para isso.
5. Reconhecer o Acolhimento como ativo, não como desvio. Independente da recomendação nº 1, a empresa é genuinamente humana. Isso é raro e valioso. O caminho não é apagar esse traço para parecer mais orientada a resultado – é usá-lo como plataforma de crescimento. Quem se sente cuidado, entrega mais quando desafiado com propósito.
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A San Marino não precisa criar cultura. Ela já tem uma, e bem forte, percebida e com alto índice de orgulho.
O trabalho agora é direcionar: transformar a solidez histórica em plataforma para os próximos 40 anos. A base existe. É ajustar discursos e atitudes para mover percepções. É menos sobre transformação e mais sobre evolução, decidindo o que e como construir sobre a essência da Empresa.
O Q-Score é o índice geral que mostra a saúde da cultura, unificando a sintropia, aderência, coesão, fricção e, claro, os indicadores explícitos que medem Atmosfera, Confiança, Inovação, Segurança Psicológica, Orgulho, Retenção, Sentimento.
A Sintropia mostra a aderência e coesão, ou seja, o percentual de respostas que orbitam o horizonte de eventos dos pGs. Quanto menor o índice de Sintropia, maior a dispersão da cultura e a flutuação e fragmentação dos outliers, indicando uma percepção mais difusa e instável.
A Força G mostra a força de atração dos pontos gravitacionais. Quanto maior a densidade de respondentes orbitando o núcleo, maior a influência dos seus valores, crenças e comportamentos no coletivo.
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Saudável, em movimento de amadurecimento. Clusters ativos e positivos, apesar de pequenas disperções.
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A fórmula é promotor menos detrator. Notas de -100 a +100.
eNPS GERAL DA EMPRESA (sem os Diretores):
Promotores (9-10): 93% (53 respondentes)
Neutros (7-8): 7% (4 respondentes)
Detratores (0-6): 0
eNPS por Unidade
Todas as unidades apresentam resultados excelentes:
Matriz: +94,4
Viamão: +100
Gravataí Multimarcas: +80
Gravataí Fiat:+100
Zona Sul: +100
eNPS por Posição
Gestores: +100
Liderados: +90,7
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eRPS GERAL DA EMPRESA (sem os Diretores):
Promotores (9-10): 87,7% (50 respondentes)
Neutros (7-8): 10,5% (6 respondentes)
Detratores: (0-6): 1,8% (1 respondente)
eRPS (Potencial de Retenção) por Unidade
Todas as unidades apresentam resultados excelentes:
Matriz: +83,3
Viamão: +100
Gravataí Multimarcas: +80
Gravataí Fiat:+100
Zona Sul: +80
eNPS por Posição
Gestores: +85,7
Liderados: +86,1
Período: Coleta de dados de 19 a 30/03/2026.
Pessoas Convidadas: 62 (59 funcionários + 3 diretores).
Nº de Respondentes: 60 (96,8 % – sendo 96,6% dos funcionários e 100% dos diretores).
Posição: 14 gestores (23,3%); 43 liderados (71,7%); 3 diretores (5%).
Loja/Unidade:
- Matriz –39 respondentes (65%);
- Zona Sul – 6 respondentes (10%);
- Gravataí Fiat – 5 respondentes (8,3%);
- Gravataí Multimarcas – 5 respondentes (8,3%);
- Viamão – 5 respondentes (8,3%).
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A matriz apresenta a cultura percebida pelos colaboradores (cultura real), revelando um padrão de distribuição bastante claro com concentração predominante no lado direito (Interdependente) e uma dispersão vertical entre os quadrantes superior e inferior.
O principal ponto gravitacional (centro do cluster mais denso – pG) está posicionado na região entre Ordem e Segurança, com leve inclinação para o quadrante inferior esquerdo. Um segundo ponto gravitacional denso (pG2) está Acolhimento.
Isso indica uma cultura real que:
Quadrante metódico – 38,3%
Ordem – 8
Segurança – 15
Quadrante Relacional – 35%
Propósito – 6
Acolhimento 15
Quadrante Realizador – 21,6%
Resultado – 5
Autoridade – 8
Quadrante Inovador – 5%
Aprendizado – 1
Prazer – 2
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Ter traços fortes dos estilos Segurança/Ordem e Acolhimento é habitar uma cultura em que organização e previsibilidade estão muito presentes, convivendo com um olhar relacional (tanto do ponto de vista dos funcionários quanto dos clientes). As regras e os processos existem para apoiar as pessoas, tornando as atividades mais colaborativas e interdependentes, com decisões tendencialmente mais consensuais. As pessoas interagem com proximidade e são mais ouvidas do que em outros quadrantes e estilos, o que gera maior senso de pertencimento e até maior probabilidade de segurança emocional.
O risco é o conforto dos processos e do acolhimento virar estagnação: um ambiente agradável em que ninguém quer gerar desconforto, seja para não desagradar o colega, seja para não correr riscos. A inovação pode ser mais difícil de alcançar não por falta de decisões da alta direção, mas principalmente porque ninguém quer quebrar a harmonia. O resultado pode ser uma empresa onde as pessoas ficam porque se sentem bem, mas não necessariamente estão crescendo ou realmente somando para que a empresa cresça e a leve junto.
"Eu vejo a SAN Marino ainda mto engessada em vários aspectos! Tem setores faltando gente e setores sobrando gente... Mal distribuído... Mto cacique pra pouco índio. É isso. "
Liderado, Matriz – nota máxima em retenção. No entanto piores notas em confiança e segurança psicológica. Engajamento e orgulho abaixo da média também.
Mas cuidado. Mesmo ao buscar uma cultura mais orientada a Resultados, fortalecendo o quadrante Realizador (Resultado e Autoridade – em que a alta performance e auto responsabilidade acontecem de forma mais natural), esse movimento exige atenção especial. Esse quadrante tem proporcionalmente os piores índices de segurança psicológica e confiança.
A média geral de segurança psicológica é de 7,82 e a de confiança 8,21. No quadrante de Resultado e Autoridade, segurança psicológica cai para 6,88 e confiança para 7,42. É um sinal importante de alerta, já que qualquer mudança exige que as pessoas se sintam seguras e confiantes.
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1. Cultura fortemente Interdependente
A quase totalidade dos pontos está no lado direito da matriz. Isso significa que os colaboradores percebem uma cultura onde:
2. Segurança, Ordem e Acolhimento como estilos dominantes
Segurança e Acolhimento têm as mesmas quantidades de percepções. No entanto, quando olhamos os quadrantes, Ordem (pertencente ao mesmo quadrante que Segurança) tem um número maior do que Propósito.
3. Colaboração vs Autonomia
4. Principais Tensões Percebidas
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Desalinhados – 0%
Neutros – 18,3% (11 respostas – 1 gestor e 10 liderados)
"Desapegar de processos ultrapassados."
Liderado, Matriz – porém é promotor tanto em indicar a empresa como querer ficar.
Alinhados – 81,7% (49 respostas – 3 Diretores, 13 gestores e 33 liderados)
É possível enxergar manifestações que demostramos motivos de alinhamento e manifestações do que poderia ser feito para gerar ainda mais alinhamento, pensando em futuro.
Motivos de Alinhamento:
Pontos de Melhoria:
"Me motivo pela visão de futuro, integração e histórias de sucesso. Podemos melhorar, alguns processos muito centralizados."
Gestor, Matriz – promotor tanto em indicar a empresa como querer ficar.
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Confiança – 21 respostas (35%)
Satisfeito – 16 respostas (26,6%)
Esperança – 12 respostas (20%)
Feliz – 6 respostas (10%)
Cansado – 5 respostas (8,3%)
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Nos Gestores (incluindo Diretoria)
Na Comunicação
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Baixo Orgulho (notas 0 a 4) – 0%
Neutralidade (nota 5) – 13,3% (8 respostas)
Médio Orgulho (notas 6 a 8) –16,7% (10 respostas)
Alto Orgulho (notas 9 e 10) –70% (42 respostas)
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"É uma empresa que eu gosto muito de trabalhar uma marca que me identifico e o clima na área de vendas é ótimo mesmo com as cobranças, única coisa que me incomoda um pouco é a parte do processo que é muito burocrático onde em qualquer erro temos que chamar o cliente para assinar novamente ou algo do tipo e isso setor na chato para o cliente e prende muito o vendedor para poder focar em uma próxima venda ou prospecção."
Liderado, Viamão – está se sentindo satisfeito, notas de promotor tanto em indicar a empresa como querer ficar.
"Agradeço a oportunidade de trabalhar nessa empresa, como já tinha dito, me sinto feliz e satisfeito, em um ambiente bom, numa equipe boa, um lugar onde enxerga e valoriza meu esforço, e por esse motivo me dedico todos os dias. Claro que não chega nem perto de ser um lugar perfeito, mas todas empresas tem seus problemas e instabilidades, muitas coisas podem melhorar sim! Mas de fato, é o lugar que me senti mais feliz trabalhando até hoje."
Liderado, Viamão – está se sentindo feliz, notas de promotor tanto em indicar a empresa como querer ficar.
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Análise Geral Comentários Gestores (excluído Diretoria)
Gestores são otimistas e estratégicos, reconhecendo engajamento e inovação, mas apontam melhorias urgentes em gestão de processos (erros recorrentes, necessidade de líderes autônomos) e adaptação à pressão de mercado. Há confiança na trajetória da empresa (40 anos de destaque), com ênfase em evolução coletiva.
"Temos muito a melhorar, fazer mais o simples e não enfeitar sem necessidade em alguns pontos. Temos que nos atualizar, mas o famoso "feijão com arroz" bem feito, irá entregar o resultado, mesmo em momentos difíceis."
Gestor de uma das unidades.
Análise Geral Comentários Liderados
Liderados expressam alta satisfação pessoal (“melhor empresa até agora”; “ambiente leve”; “gestores presentes”), mas destacam frustrações operacionais como burocracia, privilégios, distribuição desigual de pessoal e mudanças em remuneração/vendas. Desafios diários (clientes, prazos) são superados pelo coletivo, com gratidão por oportunidades de crescimento. Atenção para maior reconhecimento por metas e clareza em regras.
"Eu vejo a SAN Marino ainda mto engessada em vários aspectos! Tem setores faltando gente e setores sobrando gente... Mal distribuído... Mto cacique pra pouco índio. É isso."
Liderado, Matriz.
"Ainda existe um conceito de privilégio a alguns colegas, folgas, horários facilitados, leads e vendas direcionadas ... não sinto clareza com relação a isso ..."
Liderado, Matriz.
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EVIDÊNCIAS POR ESTILO
1. Segurança (26,4%) – estilo dominante e inequívoco
"... porque proteger não é apenas corrigir problemas, é impedir que eles nasçam, é sustentar padrão, consistência e um ambiente seguro para que as pessoas trabalhem com confiança." "Vocês vendem segurança. Vocês vendem tranquilidade." "Experiência consistente, sem surpresas e com responsabilidade." "Oportunidades facilitadas, estabilidade..." "Manutenções preditivas" como ponto de contato estratégico.
O eixo estável e o vetor de prevenção são os mais recorrentes. A Segurança aparece tanto na promessa para o cliente quanto na proposta para os colaboradores.
2. Resultado (17,0%)
"Enaltecer as conquistas que ocorrem pela coragem e pelo trabalho duro. Manter, sustentar e elevar valor." "Coloca a reputação na frente do volume e sustenta o que promete com processos, qualidade e garantia." "Ter zelo e ânimo de dono é o que transforma essa autonomia em maturidade."
Orientação à excelência, mérito e entrega com padrão. O vocabulário de "performance" e "postura de dono" é típico deste estilo.
3. Ordem (15%)
"Vivido no dia a dia, no toque, no padrão, no processo." "Não é um salto para o novo. É uma volta para a essência – com método." "Processos, qualidade e garantia."
A San Marino valoriza procedimentos, rotina e estrutura como garantidores de reputação – traço claro da Ordem.
4. Propósito (13,2%)
"Valorizar e proteger a liberdade humana." (o propósito declarado) "Não colocar pessoas em primeiro lugar é um erro." "Ambiente saudável... não é benefício, é responsabilidade cultural."
O propósito é explícito e sustentado por linguagem de causa maior – ideal, território e legado humano com impacto verdadeiro.
5. Autoridade (13,2%)
"Rebeldes vencedores e líderes natos... direito de discordar, de explorar, de ser um outsider." "A San Marino não pode ser 'uma opção'. Tem que ser a decisão óbvia." "Autonomia com consciência dos seus reflexos."
Ousadia, dominância de mercado e decisão com convicção são traços claros de Autoridade.
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Protagonismo e Liderança
A narrativa deste valor é construída quase inteiramente sobre o eixo independente: liderança como postura individual, velocidade de decisão, capacidade de antecipar o mercado e agir sem esperar que o ritmo seja imposto de fora. A Autoridade nesse valor é o estilo dominante. Não a autoridade hierárquica, mas aquela que emana de convicção e protagonismo. O Resultado aparece na responsabilidade pelo impacto gerado e na orientação ao desenvolvimento do mercado. O Propósito entra quando a narrativa se amplia para influência coletiva e contribuição à evolução do setor.
Trabalho Duro e Progresso
Este valor é o mais orientado à execução sistemática. A ênfase em disciplina, método, continuidade, acompanhamento de perto e melhoria contínua posiciona a Ordem e o Resultado como forças centrais que se complementam. Apesar da Ordem estar na repetição qualificada, no padrão como prática e no ajuste constante como rotina, o Resultado está no foco ao atingimento de uma execução consistente e na busca por uma melhor versão, potencializando os traços do estilo desse valor a cultura desejada. Segurança aparece na capacidade de ler o contexto futuro antes de agir; e o Aprendizado entra discretamente na ideia de evoluir o que existe.
Transparência e Confiabilidade
Valor de natureza estável e estrutural. A ênfase em processos compreensíveis, cumprir o combinado, assumir responsabilidade por desvios e dizer a verdade mesmo quando inconveniente são sinais densos de Segurança – previsibilidade como promessa e como postura. A Ordem sustenta a parte de processos documentáveis e comunicação formal. O Acolhimento aparece no trecho em que a empresa orienta o cliente a enxergar o que realmente serve para ele – uma escuta genuína que prioriza a necessidade do outro sobre o fechamento imediato.
Cuidado e Comprometimento
O valor mais próximo do eixo relacional de toda a declaração. A Acolhimento domina – escuta, presença constante, atenção genuína, senso de pertencimento, relações duradouras. O que torna esse valor interessante é a tensão explicitada no próprio texto: "humanização não é gentileza sem entrega". Essa frase é um sinal de Resultado dentro do Acolhimento – a empresa reconhece o risco de excesso de cuidado sem performance e o nomeia como desvio. A Segurança aparece na proteção de capital e preservação de valor ao longo do tempo. O Propósito entra na presença junto à comunidade.
Rebeldia Estratégica
Questionar o óbvio, redesenhar soluções, avançar mesmo quando o mercado vai em outra direção, recusar a acomodação – tudo isso é território da Autoridade com traços menores de Aprendizado. A qualificação "estratégica" é fundamental: a empresa não reivindica ousadia irresponsável, mas ousadia com fundamento e propósito claro. O Resultado aparece na construção de diferenciação de longo prazo. Este é o único valor onde o eixo flexível tem presença real.
O que diferencia Autoridade de Aprendizado na prática não é o ato de questionar – é de onde vem a energia para questionar. O Aprendizado questiona porque não sabe e quer descobrir. A Autoridade questiona porque já sabe e quer impor o novo padrão. A San Marino não quer construir uma empresa curiosa. Está construindo uma empresa convicta. O texto não diz "vamos explorar caminhos alternativos". Diz " Quando existe convicção de que algo é o certo a se fazer, a San Marino avança e executa, mesmo que o mercado esteja indo em outra direção". Isso exige decisão de alguém. É autoridade pura.
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Nós vendemos o serviço de vender um carro
O princípio organiza a relação com o cliente a partir de confiança construída no tempo – não de pressão ou improviso. O Acolhimento está na ideia de que a venda é consequência de um relacionamento, não de uma abordagem. A Segurança está no histórico de consistência como motor de decisão. A Ordem aparece no cuidado com o detalhe e no compromisso de resolver sem transferir problemas. O Resultado entra marginalmente: o cliente existe, mas não como alvo – como consequência.
A informação é o combustível da excelência
Princípio denso no eixo estável. A ênfase em fazer circular a informação, dizer o óbvio, entender o porquê do trabalho e garantir consistência nas decisões revela uma cultura que usa dado e contexto como ferramenta de alinhamento – não como poder. A Segurança e a Ordem dominam pela lógica de que sem informação correta não há padrão. O Aprendizado aparece no entendimento do propósito do trabalho como parte da performance. O Acolhimento entra discretamente na ideia de que cada pessoa tem papel estratégico e precisa de contexto para decidir bem.
Tira o não da tua vida e faz acontecer
O princípio de maior energia do eixo independente em toda a declaração. Iniciativa, responsabilidade individual, proatividade, resiliência sob pressão e recusa de frases que "encerram o pensamento antes da ação" são marcas da Autoridade e do Resultado. A tensão com o Acolhimento aparece de forma produtiva: a execução é compartilhada ("todo mundo pode se sujar de graxa quando é necessário"), mas a proatividade é individual. É o único princípio onde a empresa explicita claramente que colaboração não pode virar passividade.
Um campeonato se ganha com consistência, não com milagres
Disciplina, método, bases sólidas, execução repetida e aprimorada – tudo isso é Resultado ancorado em Ordem. A Segurança está na recusa do improvável e na construção com bases sólidas. O Aprendizado aparece no único trecho que rompe a lógica do controle: "errar melhor", cometer novos erros como sinal de evolução. É uma concessão à flexibilidade dentro de um princípio essencialmente estável.
Sempre vai existir lugar para a inteligência, a competência e o talento
O princípio com maior presença do Aprendizado em toda a declaração. Profundidade de conhecimento, curiosidade, diversidade de pensamentos, disposição em aprender mais e proteção da criatividade humana são sinais claros desse estilo. O Acolhimento aparece no ambiente propício que a empresa se propõe a oferecer. O Resultado está na ambição coletiva que um time forte permite. Este princípio é onde a San Marino mais se aproxima do quadrante flexível.
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ANÁLISE FINAL – Padrão Cultural da Declaração (Valores + Princípios + Demais Narrativas)
A leitura consolidada dos valores e princípios da San Marino revela uma cultura aspiracional com um padrão coerente e identificável: o ponto gravitacional declarado nas narrativas orbita o território entre Resultado e Segurança, com influência relevante de Ordem e presença crescente de Autoridade nos valores ligados ao Protagonismo e à Liderança pretendida.
Quando analisado, todas as narrativas do manual de Cultura e seus elementos que deverão sustentar a Cultura Aspirada, o que a declaração comunica, em essência, é uma empresa que quer ser reconhecida pela excelência da entrega, pela solidez dos processos e pela coragem de liderar com convicção.
A tríade Segurança + Resultado + Ordem forma o núcleo dessa identidade aspiracional.
Segurança 26,4% ██████ dominante
Resultado 17,0% █████ dominante
Ordem 15,0% ████ relevante
Propósito 13,2% ████ relevante
Autoridade 13,2% ████ relevante
Acolhimento 11,3% ███ presente
Aprendizado 5,7% █ pontual
O Acolhimento aparece como estilo de suporte – presente, valorizado, mas nunca protagonista na declaração. A empresa o reconhece como traço humano positivo, mas o subordina à capacidade de execução. Isso é consistente com o desvio identificado no diagnóstico real: o Acolhimento é mais vivido e sentido hoje do que presente na nova promessa cultural. O que faz sentido, não é perder o jeito acolhedor e não inflá-lo mais, resignificando junto à execução.
O Aprendizado e o Propósito surgem em momentos específicos. O Aprendizado mais presente no princípio sobre lugar para inteligência, competência e talento. E o Propósito na linguagem de causa e legado. Ambos funcionam como camadas de profundidade, não como forças estruturantes.
Uma das grandes tensões declarada, e saudável, está entre Autoridade e Acolhimento. A empresa quer protagonismo, velocidade, ousadia e decisão individual (Autoridade), mas também quer cuidado, suporte, equipe unida e lealdade (Acolhimento). Esses dois estilos estão em quadrantes opostos na matriz. Sustentá-los simultaneamente exige pessoas que façam essa ponte. Sustentá-los exige que a liderança saiba quando acionar cada um. Sem essa consciência, o discurso oscila: ora parece exigente demais, ora parece condescendente demais. Principalmente quando incluímos ainda a camada do deseje por comportamentos com mais traços de Resultado. Autoridade e Resultado estão no quadrante realizador. Isso exige autorresponsabilidade e protagonismo.
O Prazer, único estilo completamente ausente, não é uma lacuna preocupante dado o perfil do negócio. Mas a ausência total de leveza, espontaneidade e descontração como valores declarados pode criar um ambiente que cobra muito e celebra pouco. Vale observar como será essa percepção quando começar a fazer essa virada de chave do lado interdependente para o lado independente. Por isso, mais uma vez a importância de enxergar profissionais que possam ser pontes.
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Os pontos gravitacionais da cultura real (pG) e da cultura aspiracional (pGa) estão muito próximos – ambos orbitando o território de Segurança. Isso é um sinal positivo: há alinhamento entre o que a empresa declara querer ser e o que as pessoas efetivamente já percebem no dia a dia. A intenção cultural está sendo sentida.
O primeiro é o Resultado. Ele aparece com força relevante na cultura a ser declarada – presente em manifestações como protagonismo, liderança, excelência, objetivos, performance, postura de dono e entrega com padrão, responsabilidade pela execução, autonomia. Na percepção real, porém, esse sinal é fraco. Isso pode indicar que o discurso de performance terá mais dificuldade em traduzir em experiência cotidiana. Importante enxergar quais símbolos, rituais e profissionais podem ajudar na materialização desse discurso como verdade, com o andar dos tempos.
O segundo é o Acolhimento. Existente na cultura declarada, mas com sinais mais fracos no discurso do que na percepção real. As pessoas sentem a empresa como acolhedora – suporte, cuidado, lealdade, senso de pertencimento.
Em outras palavras: a San Marino, hoje, entrega bem mais Acolhimento do que pretende prometer, e tem a intenção de ter uma cultura que viva mais o Resultado. Esse cruzamento é típico de empresas com cultura genuinamente humana, mas que constroem narrativas a partir de uma identidade de alta performance. O desafio não é mudar. O desafio é reconhecer o que já existe e decidir, intencionalmente, o que fortalecer. Atenção para o que os novos comportamentos podem gerar nos colaboradores. Hoje eles sentem e até verbalizam que vivem num ambiente acolhedor e mais "família".
Ops! Nossa plataforma funciona melhor em telas maiores. Acesse pelo computador para a melhor experiência.
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